terça-feira, julho 12, 2005

Os Incêndios

A floresta constitui para o país um recurso económico importante, no entanto o desenvolvimento do sector florestal passa por um conjunto vasto de medidas que visem travar a sua degradação, sobretudo no que respeita à sistemática destruição pelos incêndios florestais.
Nos últimos dias a comunicação social tem dado conta de um conjunto de incêndios que tem assolado o país um pouco por todo o território principalmente no norte interior e centro!
Todos os anos em Portugal por altura do Verão este fenómeno acontece, no entanto e por mais que os governos invistam na chamada prevenção fica-se com a ideia que cada ano é pior que o anterior em relação ao numero de hectares ardidos.
No terreno esse investimento nunca surte o efeito desejado! Qual será a razão? Existe falta de coordenação? E o papel dos Bombeiros, será que são ouvidos nesta matéria? E os especialistas em ordenamento florestal? E o papel das autarquias neste processo?
Sem estar a alimentar polémicas nem especulações, o facto é que a floresta pode contribuir e muito para o desenvolvimento económico de uma região quer apenas ao nível da prevenção dos incêndios.
Por intermédio da limpeza de florestas, abertura de caminhos, colocação de pontos de água, pode-se obter rendimentos económicos para a região quer ao nível da criação de postos de trabalho todo o ano, pois as florestas devem ser limpas e cuidadas o ano todo não apenas nas alturas estivais, papel que deveria ser concessionado às câmaras municipais, ou dar meios ao sector privado para investir nesse domínios!
A manutenção e preservação da floresta pode também combater o nosso défice energético por intermédio da biomassa existente na floresta em excesso e que pode ser aproveitada, dinamizando a economia local por intermédio da criação de emprego e de riqueza.
Contudo os anos vão se passando e a prevenção contínua a não ser eficaz, e as imagens que a televisão mostra continua a ser de destruição da floresta por causa dos incêndios, populações em perigo e bombeiros esgotados de tanto combate ao fogo.
Deixo a pergunta quantos mais hectares de floresta iram ser queimados, enquanto o homem não deixar de parte a sua desonestidade perante a os recursos florestais?

1 comentário:

Luis Matos disse...

Caro Magno,

O misto de perplexidade e indignação que transparece da sua intervenção vêm engrossar ainda mais o caudal de manifestações que se multiplicam um pouco por todo o país. Eu já faço parte dessa vaga desde 2002, altura em que me comecei a debruçar sobre o assunto.
Tem toda a razão quando diz que ano após ano apesar do aumento de meios e dispositivos de prevenção e combate, parece que a situação se agrava cada vez mais.
Isso deve-se sobretudo ao facto de não estarmos ou de não querermos abordar o problema de forma inteligente, considerando todas as possibilidades.
O raciocínio inicial foi simples:
Não é viável do ponto de vista económico a limpeza das florestas, logo; a única solução que nos resta, é o combate e prevenção.
Isto é completamente falso e absurdo!
Falso, porque não foram contempladas todas as alternativas.
Absurdo, porque não faz sentido manter ad eternum uma estratégia que assenta exclusivamente em medidas de mitigação.
Relativamente á vertente económica, tem-se apostado ultimamente no aproveitamento dos resíduos florestais para a produção de energia eléctrica, o que é um completo absurdo. O grande potencial da biomassa de origem florestal está na produção de calor e não de electricidade.
Além disso pretendem implementar na biomassa o mesmo modelo que usam para outras formas de energia, (eólica,ondas e outras)em que os intervenientes são na maior parte dos casos grandes grupos económicos. O desenvolvimento da bioenergia, deve obedecer a modelos completamente diferentes. A bioenergia é um "negócio" de comunidade, devendo envolver as populações, os proprietários florestais e os agentes económicos e políticos num enquadramento de carácter local. O que vão fazer com as novas centrais vem na mesma linha do que já acontece com as celuloses; os pequenos proprietários vão ficar na mão dos grandes grupos económicos, sem que as localidades tirem quaisquer benefícios com isso. Não são as centrais bio-termoelécticas que vão resolver os velhos e conhecidos problemas do ordenamento e da pequena propriedade. Aliás, repare-se que o principal concorrente a sete centrais - EDP/Altri - apostou apenas (com a excepção de Braga) em investimentos na zona Centro/Sul aonde a dimensão das propriedades é muito significativa, e onde já existe um razoável grau de gestão florestal.
Outro mito é que as centrais ajudam a reduzir o mato, o que não é verdade. A central de Mortágua funciona principalmente com resíduos de abate, o que constitui uma fracção muito pequena da àrea total ( menos de 10%).
Também me parece que os cálculos quanto à biomassa disponível estão absurdamente subavaliados, mas quanto a estes números é difícil ter valores razoavelmente precisos.
Esta história das centrais ainda vai dar muito que falar !
Existe um processo completamente diferente de abordar este binómio incêndios/bioenergia, e passa fundamentalmente por modelos baseados em conceitos como; sustentabilidade, eco-indústria e simbiose industrial.
Sobre o primeiro todos falam nele - está na moda - quanto aos outros dois não vejo ninguem a falar neles !?
A minha área de investigação assenta sobretudo na integração dos três conceitos.

Cumprimentos

Luis Matos